Uma das coisas mais difíceis na animação é representar personagens falando, expressando emoções e atuando. Normalmente, para animações de baixo orçamento ou curto prazo, os animadores se utilizam de técnicas como ficar sacudindo aleatoriamente o personagem de um lado para o outro, na tentativa de simular uma linguagem corporal.
Trata-se de um recurso válido, mas que não revela o real potencial de dar vida aos personagens. A troca de peso pelos eixos do organismo, o movimento das mãos e a inclinação da coluna e da cabeça podem indicar de uma forma muito direta o que o personagem está querendo expressar. Aleatoriedade não é uma meta aqui. A gente se move naturalmente, mas o corpo sabe exatamente o que está fazendo, mesmo que de forma inconsciente. Estudar cada pose individualmente é algo importantissimo, e não há fórmulas simples de fazer a parada.
estudo de pose para personagem
Algo parecido ocorre com a sincronia labial. Não basta identificar os fonemas e posicioná-los de uma maneira cartesiana. Isso resulta em bocas que lembram uma acelerada apresentação de slides. Cada sílaba em uma palavra é parte uma sequência, tendo que estar de acordo com a que veio anteriormente e a próxima. Além disso representação gráfica de um mesmo som pode variar dependendo da entonação e da velocidade da fala. Falar é um fluxo, e não uma sequencia de pontos definidos.
No livro Animator’s Survival Kit, Richard Williams ensina que o principal em uma sincronia é o número de vezes vezes em que a boca se abre para pronunciar vogais, e que isso frequentemente difere do numero de silabas de uma palavra. Faça um teste: olhe para um espelho e fale a palavra “bala”. Se não estiver forçando cada sílaba, verá que a sua boca se abre basicamente uma vez. Esses detalhes, aparentemente pequenos, fazem bastante diferença na hora de convencer o espectador de que uma sequencia de desenhos está gerando um determinado som.
A seguir apresento primeiro exercicio de acting e lipsinc que eu fiz na melies. Hoje eu acho ele meio truncado, veja como a boca se articula demais em alguns momentos, assim como as mãos do personagem, que as vezes parecem perdidas no meio da ação. O acting peca pelo excesso de poses, gerando muito ruído na informação que o corpo deveria passar. Apesar disso, esse vídeo é interessante, pois é a única vez que vocês verão Juán Nadie falando. Com a voz do Denzel Washington. Roubei mesmo.
(essa cena era pra ser maior, ele ia se envergonhar e empurrar o cadaver de volta para a porta)
Dois anos se passaram desde que eu fiz esse exercício. Com prática, foi possível ir pegando as manhas, tanto do acting, que passou a acontecer de uma forma mais limpa, com respiros entre as poses, gerando um linguajar claro, quanto da sincronia labial. Veja o exemplo neste trecho do inquilininja (que eu dublei porquíssimamente bem, diga-se de passagem).
(ainda identifico muitos erros, mas fiquei feliz com a evolução)